Relógio despertou no momento exato que antecedeu seu relógio biológico e os avisos meio histéricos do seu vizinho de quarto para que ele se levatasse. Mais do que apressadamente, ele se levanta, rápido e sem tonturas, confere o relógio do celular: 07:18. EXATO.
Levanta, corre para o banheiro, antes de ligar o computador. Toma banho, limpa o rosto com sabonote próprio, shampoo, enxágue, outro sabonete agora para o corpo, bucha vegetal laranja, esfrega, esfrega; enxágua o sabão, ainda com o chuveiro ligado pega sua escova de dentes, passa pasta dental, escova [pois julga que não há sensação mais refrescante do que escovar os dentes enquanto toma seu banho]. Enxágua! Toalha, seca e volta ao quarto. Laptop ligado, começa rapidamente a passar algumas músicas do pc para seu Mp³. Escolhe sua roupa no guardarroupas [de acordo com a nova regra gramatical, rs], passa desodorante com cheiro animador, perfume importado, camiseta básica preta, cueca branca, meias brancas e tênis colorido; "tudo pronto" e discretamente nota-se um convidativo sorriso em seus lábios [sim, ele acordou cedo].
Frio do lado de fora da casa, abre uma porta, tranca; abre outra, cadeado; abre o portão, está na rua debaixo de uma garoa fina. Isto o faz relembrar de ótimos dias que passou em São Paulo. Fica feliz declaradamente com o tempo super nublado, nuvens baixas, e sobre a colina, vê uma névoa mágica circundando o centro da sua cidade. Pega seu Mp³, seu óculos estilo wayfarer,escolhe Spoon para ouvir e come duas bananas enquanto caminha, eram 07:55 e ainda lhe faltavam 05 minutos para seu compromisso começar.
Anda o centro da cidade, desce colina, sobre mais outra e descendo a segunda, névoa, músicas, felicidade espontânea e sorriso no rosto; de repente, percebe com um olhar de espanto 2 "mendigos" vestindo bermudas e regatas, muito frio naquela manhã fria porém feliz para ele no seu sábado; rapidamente olha para o rosto de um deles e o reconhece. O respectivo foi um paciente seu, enquanto estagiava em uma clínica de reabilitação química... Pouco de frustação [pois em um momento anterior, o mesmo tinha ganhado auta da instituição referida], embotou seu sorriso no rosto e caminhou um pouco mais vagarosamente. Sem nada a fazer e sob a pressa que lhe acometia, continua seu caminhar.
De oito da manhã daquele sábado nublado e iluminado durante o almoço, até aproximadamente as seis da tarde, ele raciocinou, fez sinapses de grande importancia, adquiriu novos conhecimentos, foi feliz enquanto estava em contato com mais outra abordagem que tanto irá lhe inrequecer nos próximos anos de sua profissão.
Em sua volta para casa, ofereceram carona porém ele não aceitou e educadamente alegou estar muito bem e alegremente acompanhado pelos seus longos passos. Frio novamente ao cair da noite, casaco de frio elegantemente estiloso, bolsa de lado de pano marrom claro, óculos de grau, Mp³ e para a volta, prefere ouvir Gus Gus porque acredita que anima. Reparou nas casas, nas construções, nas pessoas e os semblantes de preocupação foram os mais acentuados. A catedral da cidade feita de pedra marrom laranja, estava toda iluminada, fez questão de passar na frente pois ainda era seu caminho de casa. Muito feliz, agradeceu mentalmente àquele momento único, singular e subjetivo que estava vivendo, pelo que, jamais viveu.
Chegou em casa, comprimentou efusivamente seu colega de quarto, agradeceu por te-lo feito acordar bem cedo para seu compromisso e alegrou-se com um simples momento do seu jornal do dia estar ali, no saquinho sob a mesa da sala! Certamente as notícias não estavam mais frescas, porém o fato do jornal dia estar ali, bastou! Nesta manhã e tarde de sábado "negativa", "menosprezável" e cinza, ele soube aproveitar seus momentos mais particulares e individualizantes. Pensando nisto, ele sentiu-se feliz novamente!